Riscos Reais · Dentro de Casa

O que acontece dentro de casa
que os pais não veem

24 riscos digitais documentados com casos reais e dados de pesquisa. Porque "estar em casa" não significa mais "estar seguro".

1 em 5 crianças de 12–17 anos foi vítima de abuso sexual facilitado por tecnologia em 2024 (UNICEF/INTERPOL)
29% dos jovens já viveram situações ofensivas online. Apenas 8% dos pais acreditam que isso aconteceu com seus filhos (TIC Kids 2024)
53 mil denúncias de crimes sexuais online registradas em 2024 (SaferNet Brasil)
98% das crianças acessam a internet pelo celular, geralmente no próprio quarto, à noite (TIC Kids 2024)

Os riscos que já eram conhecidos, agora com mais profundidade

Dados atualizados de 2024–2026 sobre os riscos que a imagem original apresentava

🎮
Roblox

Mais de 80 milhões de usuários diários, quase metade com menos de 13 anos. Adultos criam salas temáticas com conteúdo impróprio. Casos documentados de troca de fotos por "itens raros".

Caso real Brasil 2025

Investigação do Núcleo Jornalismo revelou ambientes dentro do Roblox onde crianças de 6 a 13 anos simulam prostituição com avatares em troca de Robux. Os personagens ganharam apelido próprio: "meninas do job". A reportagem fundamentou o Projeto de Lei 1.637/2026 (deputada Ana Paula Lima, PT/SC).

⚠ Classificação: 10+ · Crianças de 6 anos jogam
🔫
Free Fire / Fortnite

Chat de voz em tempo real com desconhecidos. Linguagem violenta normalizada. Golpes de Pix: "manda R$20 e te devolvo diamantes". Mecanismo de vício idêntico ao caça-níquel.

Dado verificado

Em abril de 2026, o Ministério da Justiça reclassificou Free Fire e Fortnite com nova classificação indicativa por risco à criança, após o ECA Digital (Lei 15.211/2025) exigir revisão de todas as plataformas interativas.

⚠ Classificação: 16+ · Crianças de 7 anos jogam
🦊
Golpes Digitais

Seu filho tem acesso ao Pix salvo no celular de vocês? Golpistas se passam por amigos do jogo. Promoções falsas de "itens raros". Perfis falsos que enganam crianças facilmente.

Caso real

Um menino de 11 anos transferiu R$1.800 do celular da mãe para um "amigo" do Free Fire que prometia uma "conta lendária". A mãe só descobriu ao verificar o extrato bancário duas semanas depois.

⚠ Bloqueie o Pix no celular compartilhado
🎭
Grooming (Aliciamento)

Adulto finge ser criança. Cria vínculo de confiança em semanas. Isola a criança: "não conta para seus pais". Faz pedidos gradativos. Usa fotos como chantagem.

Dado verificado

SaferNet Brasil registrou 49.336 denúncias de abuso e exploração sexual infantil apenas entre janeiro e julho de 2025, crescimento de 18,9% em relação ao mesmo período de 2024. 64% de todas as denúncias recebidas no ano eram deste tipo.

⚠ Filho com "amigo secreto online" = sinal vermelho
20 riscos adicionais documentados

O que a maioria dos pais ainda não sabe que existe

Riscos emergentes com casos reais brasileiros de 2024–2026

💬
Discord · "Panelas" Secretas

O Discord parece inofensivo: um app de texto e voz para gamers. Mas abriga "servidores secretos" com pornografia, automutilação ao vivo, desafios mortais e planejamento de ataques a escolas. Tem 19 milhões de usuários no Brasil.

Caso real Brasil 2025

Um policial do NOAD/SP ligou para uma mãe às 23h: "Vá até o quarto da sua filha agora." A mãe encontrou a menina de 12 anos em cima de um banco, com lençol no pescoço, maquiada, transmitindo ao vivo um "desafio de suicídio" para outros usuários do Discord. O NOAD evitou 212 casos graves em um ano monitorando essas comunidades.

⚠ Operação 2025: 400 vítimas de estupro virtual identificadas
🤖
Sextorsão com Deepfake de IA

Criminosos usam IA para criar imagens íntimas falsas com o rosto real do adolescente sem que ele tenha mandado nenhuma foto. Depois ameaçam divulgar se não receberem dinheiro ou mais imagens.

Dado verificado

1 em cada 5 adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos foi vítima de exploração ou abuso sexual facilitado por tecnologia em 2024, segundo pesquisa do UNICEF Innocenti com INTERPOL e ECPAT. São aproximadamente 3 milhões de vítimas em um único ano.

⚠ A vítima não precisa ter enviado nenhuma imagem
🎰
Apostas Online (Bets)

Sites de apostas esportivas com interface de jogo, sons e animações projetadas para viciar. Usam influenciadores mirins como propaganda. 78% das plataformas não verificam a idade. Crianças acessam sem restrição.

Dado verificado

A CPI das Bets identificou que 92% dos influenciadores que promovem jogos de azar omitem a exigência de idade mínima. A Sociedade Brasileira de Pediatria classificou as apostas online como transtorno de compulsão pela CID-11, com risco especial para crianças e adolescentes.

⚠ 78% das plataformas não verificam a idade
📱
TikTok · Algoritmo Invisível

O algoritmo do TikTok aprende os pontos de vulnerabilidade da criança e começa a entregar conteúdo progressivamente mais extremo: dietas restritivas, automutilação, raiva política, corpo perfeito. O processo é gradual e invisível para os pais.

Dado verificado

Pesquisa da ESET revelou que os algoritmos do TikTok e YouTube, ao priorizar engajamento, conectam conteúdo sexualizado de menores a redes de pedofilia. O vídeo "Adultização" do influenciador Felca, denunciando o mecanismo, teve 47 milhões de visualizações e acelerou a aprovação do ECA Digital no Brasil.

⚠ 40% dos jovens de 11–17 anos não identificam conteúdo patrocinado
▶️
YouTube · Rabbit Hole de Conteúdo

A criança começa em um vídeo de receita e termina em conteúdo violento ou sexual por recomendação automática. O YouTube Kids tem filtros, mas o YouTube regular não. Crianças trocam de app sem os pais perceberem.

Caso documentado (Guardian, nov/2025)

Jornalista do The Guardian se infiltrou no Roblox simulando ser uma menina de 8 anos com controles parentais ativos (os que a plataforma promove como seguros). Resultado: assédio sexual virtual, bullying e simulações de estupro em jogos como "Vibe Place" sem nenhuma barreira técnica.

⚠ YouTube Kids e YouTube são apps diferentes, verifique qual está instalado
💚
WhatsApp · Grupos da Turma

70% das crianças de 9 a 17 anos usam WhatsApp diariamente. Os "grupos da turma" são onde o cyberbullying começa, nude vaza, rumores se espalham e exclusão social acontece. Tudo à noite, no quarto, com o celular debaixo do travesseiro.

Caso real

A avó de um menino de 11 anos leu mensagens suspeitas no WhatsApp do neto e descobriu que um adulto oferecia "moedas virtuais e acesso a contas VIP" em troca de fotos e vídeos íntimos. O homem mantinha vasto acervo de material pornográfico infantil.

⚠ Quem está nos grupos do seu filho? Você conhece?
🌙
Instagram · Lives às Madrugadas

Adolescentes fazem lives quando os pais dormem, interagindo com desconhecidos que pedem fotos, fazem pedidos sexuais ou oferecem dinheiro e seguidores em troca de conteúdo. A criança não percebe o perigo porque parece "fama".

Dado verificado

Pesquisas mostram que apenas 8% dos pais acreditam que o filho já passou por situação ofensiva online, enquanto 29% dos jovens confirmam que sim. A diferença é o horário: a maioria dos incidentes acontece entre 22h e 2h da manhã.

⚠ Carregador do celular fora do quarto à noite é regra básica
⛏️
Minecraft · Servidores de Terceiros

O Minecraft original é relativamente seguro. O problema são os servidores não oficiais de terceiros onde o chat é aberto e sem moderação. Adultos entram nesses servidores especificamente para se aproximar de crianças.

Dado verificado (Guardian/Revealing Reality, 2025)

Em pesquisa com pais, um menino de 10 anos foi aliciado por um adulto que conheceu em servidor de Minecraft. Uma menina de 9 anos passou a ter ataques de pânico após ver conteúdo sexual dentro da plataforma. A empresa teve resultados positivos de moderação reportados, mas pesquisadores apontam que as medidas não são suficientes.

⚠ Seu filho joga em servidor oficial ou de terceiros?
Desafios Virais · "Challenge"

Desafios que pedem automutilação, sufocamento, ingestão de substâncias ou comportamento de risco circulam no TikTok, WhatsApp e Discord. A pressão do grupo e o medo de parecer "covarde" é o gatilho. Pelo menos 56 mortes relacionadas no Brasil nos últimos 10 anos.

Caso real Brasil 2025

Adolescente de 12 anos estava em cima de um banco com um lençol no pescoço, maquiada, transmitindo ao vivo um "desafio de suicídio" em servidor do Discord. Os pais estavam no mesmo apartamento, dormindo. O alerta veio de um policial infiltrado na plataforma, não da família.

⚠ Instituto DimiCuida: 56 mortes por desafios virtuais no Brasil
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Celular no Quarto à Noite

O quarto com celular à noite é onde a maioria dos incidentes acontece. Privação de sono, exposição a conteúdo impróprio, contato com desconhecidos e uso compulsivo. Crianças dormem em média 2 horas menos do que precisam por causa do uso noturno.

Dado verificado

Glossário de Proteção Digital da Câmara dos Deputados (2025) aponta que uso no período noturno "causa privação de sono, afetando desenvolvimento cognitivo, memória, aprendizado e regulação emocional, além de proporcionar maior exposição a conteúdos inadequados".

⚠ Carregador deve ficar na sala, não no quarto
🔞
Pornografia · Acesso Acidental

Crianças brasileiras acessam pornografia pela primeira vez em média aos 11 anos. O acesso costuma ser acidental (recomendação de algoritmo, link em grupo) e não há barreira efetiva de idade nas plataformas. O conteúdo molda a percepção de relacionamentos.

Dado verificado

A taxa de suicídio de adolescentes de 10 a 19 anos cresceu 53,6 vezes entre 2000 e 2022 no Brasil (Instituto Vita Alere). Especialistas apontam a exposição precoce a conteúdo violento, sexual e de automutilação como fator significativo nesse crescimento.

⚠ Não existe verificação efetiva de idade na maioria dos sites
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Red Pill · Radicalização Masculina

Conteúdo misógino disfarçado de "autoajuda masculina" no YouTube e TikTok. Adolescentes assistem por horas e passam a reproduzir discursos de ódio contra mulheres em sala de aula. O processo de radicalização acontece em semanas.

Caso documentado

O pesquisador do UNICEF Alexandre Costa Barbosa documentou como o conteúdo "red pill" se multiplicou a partir de 2023 no Brasil, com adolescentes reproduzindo discursos de ódio em escolas e conflitos entre alunos por conteúdo que circula em grupos. "Ali ficou escancarada a gravidade de não ter regulação", afirmou.

⚠ Mudança brusca de visão de mundo em semanas = sinal de alerta
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Roblox · "Meninas do Job"

Dentro do Roblox existem ambientes chamados "condo games" onde avatares de crianças simulam prostituição em troca de Robux (moeda virtual). A gíria "meninas do job" ou "primas do job" circula no TikTok, ensinando crianças a encontrar esses espaços.

Caso real Brasil 2025

Investigação do Núcleo Jornalismo (ago/2025) revelou crianças entre 6 e 13 anos realizando atos sexuais com avatares em troca de moedas virtuais. O conteúdo circulou amplamente no TikTok. A reportagem fundamentou o PL 1.637/2026, que propõe medidas específicas de proteção em plataformas de jogos.

⚠ A plataforma remove esses espaços, mas eles reaparecem em minutos
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Influenciadores · Grooming Presencial

Adultos que constroem audiência infantil online usam o fascínio das crianças por cartas colecionáveis, games, YouTubers, para criar vínculo de confiança antes de praticar abuso presencial. A criança não conta porque o "ídolo" pediu segredo.

Caso real Brasil out/2025

O influenciador "Capitão Hunter", famoso por Pokémon com milhares de seguidores mirins, foi preso em São Paulo por assédio sexual de vulneráveis. Atraía crianças com cartas raras e colecionáveis em eventos presenciais como a Pokecon. Exemplo clássico de grooming que começa no digital e chega ao físico.

⚠ Ídolo que pede para "não contar para os pais" é sinal de abuso
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Sharenting · Pais que Expõem os Filhos

Pais que publicam fotos, vídeos e rotinas dos filhos em redes sociais criam uma pegada digital permanente sem o consentimento das crianças. Predadores usam essas informações para mapear rotinas, escolas e locais frequentados.

Dado verificado

O ECA Digital (Lei 15.211/2025) proíbe a exposição não autorizada da imagem de crianças e adolescentes, inclusive por seus próprios responsáveis. A lei cria mecanismos de responsabilização e exige que plataformas removam o conteúdo.

⚠ Fotos com uniforme + local = mapa para predadores
💻
Trabalho Infantil Digital · Roblox Dev

Crianças e adolescentes desenvolvem jogos e itens dentro do Roblox recebendo Robux como pagamento, em dinâmica caracterizada como trabalho infantil. A fronteira entre "brincar de programar" e "trabalhar sem direitos" é invisível.

Investigação Brasil out/2025

O Ministério Público do Trabalho (MPT-SP) abriu inquérito civil para apurar se o Roblox lucra com trabalho infantil de programação. A Repórter Brasil entrevistou desenvolvedores de jogos dentro da plataforma com idades entre 12 e 17 anos. A plataforma saltou de 32,6 mi de usuários em 2020 para 79,5 mi em 2024.

⚠ MPT investiga: Roblox e trabalho infantil (out/2025)
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Sextorsão entre Pares

Adolescente envia foto íntima para "namorado(a)" online ou escolar. Após briga ou término, a outra parte ameaça divulgar. A vítima não conta por vergonha. O processo pode durar meses e levar a crises severas de saúde mental.

Dado verificado

O Senado aprovou em 2025 o PL 880/2025, que obriga plataformas a remover imediatamente conteúdo pornográfico envolvendo crianças e adolescentes. A lei é resposta ao aumento de casos de sextorsão entre pares adolescentes, especialmente no EF II e EM.

⚠ Nunca peça para o aluno mostrar o conteúdo, acione orientação
🎭
Perfis Falsos · Catfishing

Adultos criam perfis falsos de adolescentes atraentes nas redes sociais para se aproximar de crianças. Usam fotos roubadas de outros perfis. Constroem vínculo durante semanas antes de qualquer pedido. A criança acredita estar falando com um "amigo da mesma idade".

Dado verificado

30% das crianças e adolescentes brasileiros já conversaram com desconhecidos na internet (SaferNet/TIC Kids 2024). A maior parte dos casos de grooming começa com um perfil falso em jogo ou rede social.

⚠ "Amigo online" que nunca aparece em videochamada = sinal de alerta
🔓
Celular dos Pais · Acesso Irrestrito

A criança usa o celular dos pais com acesso a aplicativos bancários, redes sociais, cartão salvo e histórico de navegação do adulto. Golpistas que a aliciaram pedem que ela "teste um Pix" ou "clique em um link" no celular dos responsáveis.

Caso real

Menino de 11 anos transferiu R$1.800 do celular da mãe para golpista do Free Fire. A avó de outro menino de mesma idade encontrou mensagens de um adulto combinando "fotos" pelo WhatsApp, no celular compartilhado da família, que o filho usava livremente.

⚠ App bancário com senha salva + criança com acesso = risco real
Criança Influencer · Exposição Sistêmica

Pais que criam canais com os filhos ou permitem que a criança construa audiência própria expõem a criança a seguidores desconhecidos, comentários abusivos, pedidos de conteúdo inadequado e atenção de predadores que monitoram o canal.

Dado verificado

O ECA Digital (Lei 15.211/2025) classifica como violação a exposição de crianças em ambientes digitais sem proteção adequada. A lei criou obrigações para plataformas removerem conteúdo que coloca em risco a integridade de menores, incluindo canais que expõem crianças sistematicamente.

⚠ Quem assiste o canal do seu filho? Você revisa os comentários?
💊
Desinformação sobre Saúde · Remédios e Dietas

TikTok e YouTube alimentam adolescentes com tendências de dieta extrema, uso de remédios sem prescrição para emagrecer, suplementos perigosos e modas alimentares. A identidade visual é de "saúde e bem-estar", mascarando o risco real.

Dado verificado

A taxa de transtornos alimentares em adolescentes brasileiros cresceu significativamente após a pandemia. Pesquisas apontam correlação com o uso intenso de redes sociais e a exposição a conteúdos de "corpo ideal" no TikTok e Instagram, especialmente em meninas de 12 a 16 anos.

⚠ Conteúdo de "saúde" pode ser o mais perigoso do feed
🚨
Estupro Virtual · Discord e Jogos

Coerção para realização de atos sexuais por câmera, dentro de plataformas de jogo ou videochamada. Criminosos gravam sem consentimento e usam o material para chantagem posterior. Vítimas frequentemente têm entre 10 e 16 anos.

Caso real Brasil 2025

A Polícia Civil de SP deflagrou ação nacional que identificou 400 vítimas de estupro virtual em servidores do Discord. Em 2023, a Operação Dark Room prendeu oito suspeitos, incluindo menores de idade, que promoviam estupro virtual e pornografia infantil dentro da plataforma.

⚠ Câmera ligada para "amigos de jogo" é risco real de gravação
Guia Prático para Famílias

Como acompanhar e ajudar seus filhos

Antes que os problemas aconteçam e quando eles baterem na sua porta pedindo ajuda. Porque a melhor ferramenta de segurança digital ainda é uma criança que confia nos adultos ao redor dela.

1
Antes do problema acontecer
Prevenção, combinados e presença ativa
🗣️
Converse sempre, não só quando der medo

A conversa sobre internet não pode ser uma "palestra de perigo". Deve ser parte do cotidiano, como falar sobre o dia na escola. Pergunte com curiosidade genuína, não com policiamento.

Em vez de dizer
"Não fala com estranhos na internet."
Diga assim
"Que jogo você está jogando? Me mostra? Com quem você conversa lá?"

Criança que se acostuma a contar o que faz online conta também quando algo der errado.

📋
Façam combinados, não regras unilaterais

Combinados feitos juntos têm mais chance de serem cumpridos. Envolver a criança ou adolescente na construção das regras gera responsabilidade real.

✅ Celular fica carregando na sala, não no quarto
✅ Nenhum aplicativo novo sem conversar primeiro
✅ Não entro em grupo sem avisar
✅ Se alguém pedir segredo, eu conto para vocês
✅ Não mando foto sem chamá-los antes
✅ Vocês (adultos) também pedem permissão antes de postar foto minha

Fonte: Manual para Famílias, Segurança Digital (TopSer)

🔍
Conheça os ambientes onde seu filho está

Você não precisa ser gamer ou saber tudo de tecnologia. Precisa conhecer os lugares onde seu filho passa o tempo, assim como conhece a casa dos amigos onde ele visita.

❓ O Roblox que ele joga tem chat aberto com desconhecidos?
❓ O Discord que ele usa tem servidores públicos ou privados?
❓ O jogo permite compras? Com cartão salvo?
❓ Quem está nos grupos de WhatsApp da turma?
❓ O TikTok dele está em modo restrito?
❓ O perfil no Instagram é público ou privado?
🛡️
Configure a proteção, não só confie na sorte

Conversas são essenciais, mas configurações técnicas são uma camada extra de proteção. Não substituem o diálogo, mas ajudam.

Celular Ative controle parental, bloqueie compras com senha, revise permissões de câmera e localização
WhatsApp Foto de perfil só para contatos, verificação em dois fatores ativa, limite quem pode adicioná-la a grupos
Instagram Perfil privado, mensagens só de seguidores, comentários filtrados, modo supervisão ativo
YouTube Use YouTube Kids até os 12 anos, ative busca segura, revise o histórico periodicamente
Jogos Bloqueie chat com desconhecidos quando possível, exija senha para compras, use apelido sem nome real
🌙
A regra do carregador na sala salva vidas

A maioria dos incidentes graves, grooming, desafios de automutilação, estupro virtual, sextorsão, acontece à noite, no quarto, quando os pais dormem. Uma regra simples muda esse cenário completamente.

O carregador de todos, criança e adultos, fica na sala à noite.

Caso real: menina de 12 anos quase morreu em desafio de suicídio transmitido ao vivo no Discord, às 23h, enquanto os pais dormiam no mesmo apartamento. O carregador estava no quarto dela.

🧠
Ensine as frases que protegem

Crianças precisam de frases curtas, memorizáveis e que façam sentido para elas. Repita até virar instinto.

"Se alguém pedir segredo, eu conto para minha família."
"Antes de mandar foto, eu chamo um adulto."
"Desconhecido no jogo continua sendo desconhecido."
"Prêmio fácil demais pode ser armadilha."
"Código de verificação não se fala pra ninguém."
"Se deu medo, eu peço ajuda. Não preciso resolver sozinho."
"Se errei, eu conto também, não vou ser punido por pedir ajuda."
2
Reconheça os sinais antes que seja tarde
Mudanças de comportamento que merecem atenção, e conversa
😰
Sinais de alerta imediatos
Procure conversar no mesmo dia
Filho fecha o celular ou muda de tela quando você chega perto
Recebe presentes (cartas, créditos de jogo, dinheiro) de "amigos online" que você não conhece
Fica extremamente irritado ou ansioso quando o celular é retirado
Menciona um "amigo secreto" da internet que "ninguém pode saber"
Fica acordado até tarde conversando e esconde com quem
Aparece dinheiro na conta de jogos sem explicação
Nega participar de videochamada mas fica no celular por horas
😟
Mudanças emocionais a observar
Observe por alguns dias, depois converse
Isolamento social: para de ver os amigos de fora, só fica online
Cansaço extremo de manhã, estava acordado à noite
Choro sem explicação ou tristeza persistente
Recusa em ir à escola sem motivo aparente
Queda repentina no desempenho escolar
Fala muito de um "amigo online" que a família nunca conheceu
Muda radicalmente de visão de mundo em poucas semanas (radicalização)
🔍
Como a psicóloga Karen Scavacini orienta
Fundadora do Vita Alere (prevenção ao suicídio)
"Observe mudanças de humor, isolamento, alterações no sono, queda no rendimento, irritabilidade, falas negativas sobre o corpo ou uso muito desregulado das redes."
"Mas observem sem entrar só pelo controle ou pela bronca."
"Perguntem, conversem, tentem entender o que aquele jovem está consumindo e como aquilo o afeta."
"Os jovens já estão buscando informação, apoio e pertencimento na internet. A pergunta não é mais SE devemos falar, mas COMO fazer isso com segurança."
3
Quando ele vier te contar que algo aconteceu
O que fazer, e o que nunca fazer, nas primeiras horas
1
Antes de qualquer coisa: acolha

Respire. Não reaja com raiva, não culpe, não grite. A criança correu risco ao contar, se a reação assustar, ela nunca mais vai contar.

Diga exatamente isso
"Você fez a coisa certa em me contar. Obrigado por confiar em mim. Vamos resolver isso juntos."
2
Tire prints de tudo antes de bloquear

O instinto é bloquear e apagar. Mas as evidências são necessárias para denúncia. Primeiro documente, depois bloqueie.

📸 Prints das conversas com data e hora visíveis
📸 Print do perfil da pessoa (nome, foto, ID)
📸 Print de qualquer ameaça ou imagem enviada
🔒 Depois: bloqueie a pessoa em todas as plataformas
🔑 Troque a senha da conta afetada
🔒 Ative verificação em duas etapas
3
Denuncie, não tente resolver sozinho

Você não precisa investigar nem confrontar o agressor. Seu papel é proteger a criança e acionar quem sabe como agir.

SaferNet Brasil
safernet.org.br · Denúncia anônima online
Crimes contra direitos humanos na internet, abuso sexual infantil, sextorsão
Delegacia de Crimes Cibernéticos
Presencialmente ou via boletim online
Grooming, sextorsão, estupro virtual, ameaças, extorsão
Disque 100 (MDH)
Gratuito, 24 horas
Violações de direitos de crianças e adolescentes
CVV, Centro de Valorização da Vida
cvv.org.br · Ligue 188
Se a criança ou adolescente estiver em crise emocional ou risco de automutilação
4
Denuncie também na plataforma onde aconteceu

Todas as grandes plataformas têm mecanismo de denúncia. Use, isso ajuda a remover o conteúdo e a conta do agressor.

Instagram / Facebook: três pontinhos no post ou perfil → "Denunciar"
TikTok: segurar o vídeo → "Reportar"
WhatsApp: segurar a mensagem → "Denunciar"
YouTube: três pontinhos no vídeo → "Denunciar"
Roblox: clicar no avatar do usuário → "Report Abuse"
Discord: clicar com botão direito no perfil → "Report"
5
Avise a escola se houver envolvimento de colegas

Cyberbullying, vazamento de imagem, sextorsão entre pares, se envolve colegas, a escola precisa saber. Ela tem obrigação legal de agir (Lei 14.811/2024).

O que informar à escola
Nome do aluno envolvido (se souber), o que aconteceu, as datas, as plataformas. Não é acusação, é comunicação necessária para proteção.
6
Cuide da saúde mental, dela e sua

Criança que passou por situação de violência digital pode desenvolver ansiedade, vergonha, medo e isolamento. Isso é real e precisa de apoio profissional.

Procure um psicólogo especializado em crianças e adolescentes
Não minimize: "já passou, esquece" não resolve o trauma
Continue presente sem superproteger, ela precisa retomar a confiança gradualmente
Você também pode precisar de apoio, situações assim afetam toda a família
🚫 O que NUNCA fazer quando seu filho pedir ajuda
"Por que você fez isso?"
Culpa a vítima. Ela não é responsável pelo crime de outra pessoa.
"Você não devia ter mandado foto."
Mesmo que tenha mandado: a chantagem e o crime são do agressor, nunca da vítima.
"Me mostra o que ele mandou."
Nunca peça para ver imagem íntima da criança ou do agressor, isso pode ser crime.
"Você vai ficar sem celular por um mês."
Punir a criança que pediu ajuda garante que ela nunca mais vai contar.
"Não conta pra ninguém, que vergonha."
O silêncio protege o agressor. A denúncia é o que protege a criança.
"Você inventou isso."
Crianças raramente mentem sobre situações de abuso. Acredite primeiro, investigue depois.
✅ Checklist para começar hoje, sem precisar ser especialista
Esta semana
☐ Converse sobre um dos riscos desta página com seu filho
☐ Peça para ele te mostrar os jogos e apps que usa
☐ Combine onde o celular vai carregar à noite
☐ Revise as permissões de localização dos apps
☐ Salve o número do Disque 100 no celular
☐ Salve o site da SaferNet nos favoritos (safernet.org.br)
Este mês
☐ Configure controle parental no celular da criança
☐ Ative verificação em duas etapas nas contas da família
☐ Revise quem está nos grupos de WhatsApp da turma
☐ Coloque senha nas compras de apps e jogos
☐ Verifique se o perfil do Instagram do filho é privado
☐ Estabeleça os combinados digitais da família por escrito
"A criança não precisa saber tudo. Ela precisa saber que tem adultos ao lado dela." Manual para Famílias, Segurança Digital (TopSer)